-Sou mesmo. Agora, fica quieto.
Silêncio. O corpinho estabanado do cavalo de pano se acomoda no ombro do servo.
-Servo, me responda uma coisa: por que tu estás jogando com esse porquinho da índia?
-Meepo. Eu coloquei random, fi. E no random vem qualquer hero pra mim.
-Entendo.
Silêncio.
-Na verdade, não entendo.
-O que você não entende?
-A lógica do jogo.
-Eu já te disse, Pé. São cinco heroes versus cinco, tem que destruir as torres, fazer itens, matar os inimigos e destruir a base. Simples.
-Entendo. E por que demoras tanto?
-Demora pra quê, Pé?
-Para matar o oponente! Tu ficas correndo de um lado para o outro. És ruim, servo? Correr é um disfarce para essa vergonha?
-DotA é estratégia, seu cavalo idiota.
-Sei.
Novo silêncio. Um relincho, então, é ouvido.
-QUÉ ISSO PÉ!
-Lamento, te atrapalhei?
-Quase me desconcentrou.
-Se tu foste bom, não precisaria de concentração. Como eu.
-Ah tá bom então.
-CUIDADO! As pequenas moitas com luvas vermelhas te perseguem!
-Eu já vi. São creeps, Pé. Não moitas.
-Eu já vi. São creeps, Pé. Não moitas.
-São moitas. São verdes e têm luvas.
-Ok.
-O Barbávore está tentando jogar pedras em ti, servo.
-Barbávore?
-É.
-É a torre inimiga, Pé.
-É uma árvore. Com braços.
-Ai, ai... Me deixa jogar, tá bom?
-Certo.
-Ótimo.
Novo silêncio.
-Há novos porquinhos da índia!
-Meepo. Ele se multiplica.
-Oh.
Breve pausa.
-Me explicas uma coisa, servo.
-Lá vem.
-Por que uma criatura asquerosa com as nádegas de fora portando uma corrente teria medo de um porquinho da índia? Pela lógica, o porquinho da índia seria esmagado. Como tu venceste?
-Sou bom. E é Meepo, saco. Ele é um espírito maligno.
-Sou bom. E é Meepo, saco. Ele é um espírito maligno.
-É um porco roxo baixinho que até a gata possessa da minha serva o derrotaria.
-Certo. Agora cale-se e me deixe jogar.
-Como queira.
Em súbito, em meio a uma batalha alucinante, o corpinho molenga do cavalinho de pano arrasta-se de um ombro do servo a outro, até o teclado.
-O que está fazendo, Pé?! Sai dai!
-Quero só ver que horas são.
-Meu Deus, olhe no relógio da parede! Saia dai!
-É só um segundinho, servo ingrato.
-Pé, você está me atrapalhando! Estou no meio de uma luta aqui!
-Mentira, não vejo o porquinho da... Ah, olhe ele lá. Esse risquinho vermelho em cima dele significa algo?
-É meu life, idiota! Suma daqui, eu vou...Morrer.
-É meu life, idiota! Suma daqui, eu vou...Morrer.
Xingamentos extremos até o silêncio embaraçoso. Pé-de-pano volta à sua posição inicial.
-Sejamos sinceros, servo. Se tu foste bom, não teria morrido.
Um olhar furioso.
-Mas é.
3 comentários:
Nossa, agora até o namorido será atasanado pelo Pé? xD
Eu ri.
Muuito bom (...)
"São moitas. São verdes e têm luvas."
Ri muito !
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